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sábado, 13 de novembro de 2010

MEDICINA


A medicina é uma das muitas áreas do conhecimento humano ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças humanas num contexto médico. É a área de actuação do profissional formado em uma Faculdade de Medicina.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não é apenas a ausência de doença. Consiste no bem-estar físico, mental, psicológico e social do indivíduo. É um estado cumulativo, que deve ser promovido durante toda a vida, de maneira a assegurar-se de que seus benefícios sejam integralmente desfrutados em dias posteriores.[1] Nesse contexto, diretrizes de organizações supra-nacionais compostas por eminentes intelectuais do globo relacionados à área de saúde estabeleceram um novo paradigma de abordagem em medicina.

Conceito de Medicina


Medicina, derivada do latim ars medicina, significa a arte da cura.
O conceito de Medicina tradicional refere-se a práticas, abordagens e conhecimentos, --- incorporando conceitos materiais e espirituais ---, técnicas manuais e exercícios, aplicados individualmente ou combinados, a indivíduos ou a colectividades, de maneira a tratar, diagnosticar e prevenir doenças, ou visando a manter o bem-estar[3].
A actual prática da medicina utiliza em seu favor conhecimentos obtidos por diversas ciências (uma vez que ela própria não é uma ciência), por exemplo, biologia, química, física, antropologia, epidemiologia. Trata-se, na verdade, de várias ligações das ciências relacionadas à saúde. Em um conceito estrito, a Medicina busca a saúde humana por meio de estudos, diagnósticos e tratamentos, e no conceito mais amplo, aliviar o sofrimento humano e manter o seu bem-estar global. De modo geral, a Medicina engloba os campos de clínica médica, cirurgia, pediatria, tocoginecologia e saúde pública.

História da Medicina

 

Hipócrates é considerado o pai da medicina. Considera-se que viveu entre 460 a 377 a.C. e deixou um legado ético e moral válido até hoje. Precursor do pensamento científico, procurava detalhes nas doenças de seus pacientes para chegar a um diagnóstico, utilizando explicações sobrenaturais, devido à limitação do conhecimento da época. Ainda antes da era cristã, Asclepíades de Bitínia tentou conciliar o atomisto de Leucipo e Demócrito com a prática médica. No primeiro século de era cristã, Cláudio Galeno, outro médico grego, deu contribuições substanciais (baseado em dissecções de animais) para o desenvolvimento da medicina.
Na Idade Média os religiosos assumiram o controle da arte de curar através de medicamentos e deixaram para os barbeiros, que já lidavam com a navalha, a arte de drenar abscessos e retirar pequenas imperfeições do pênis. A formação de secreções purulentas era considerada normal e saudável.
Em 1865, Louis Pasteur teorizou que as infecções eram causadas por seres vivos. Foi ele o inventor do processo de pasteurização, muito utilizado no leite. Lister, em 1865, aplicou pela primeira vez uma solução anti-séptica em um paciente com fraturas complexas, com efeito profilático na infecção. Iniciou-se uma nova era. Em 1928 Alexander Fleming descobriu a penicilina ao observar que as colônias de bactérias não cresciam próximo ao mofo de algumas placas de cultura. Surge uma nova era: a dos antibióticos, que permitiu aos médicos curar infecções consideradas mortais. A evolução desde então não parou. A eterna luta do homem contra a morte entrou em uma nova etapa, cada vez mais moderna e cara.

História da Medicina no Brasil

 

A Academia Nacional de Medicina é uma instituição médica centenária, fundada no Brasil em 1829 pelo Dr. Souza Meireles sob o nome de Sociedade de Medicina. Posteriormente foi chamada Academia Imperial de Medicina. Recentemente foi presidida pelo Dr. Neves Manta. Há 100 membros titulares que ingressam na instituição mediante apresentação de teses científicas. Numa de suas dependências, um pequeno Museu mostra, por exemplo, o primeiro estetoscópio chegado ao Brasil.
Até o século XIX floresciam curandeiros, alguns charlatães, feiticeiros. O primeiro médico prático do Rio de Janeiro foi Aleixo Manuel, o velho, em meados do século XVII. Os caboclos empregavam a vaga medicina dos pajés e os negros, seus amuletos e ervas. Em certas ruas, barbeiros apregoavam drogas, faziam sangrias. Não havia Faculdade de Medicina e os cariocas que desejavam curar seus semelhantes eram obrigados a ir estudar em Coimbra. A medicina do tempo do Primeiro Reinado, embora D. João VI tivesse trazido alguns bons médicos para o Rio de Janeiro, era do "tipo caseiro": rodelinhas de limão nas frontes para enxaquecas, suadouros de sabugueiro e quina, para as febres: cataplasmas contra as asmas: antipirina para as dores de cabeça; banhos de malva para as dores nas cadeiras; um "cordial" contra a insônia e, para os loucos, o Hospício, na Praia Vermelha.
O Rio de Janeiro foi sempre no tempo colonial um verdadeiro "campo experimental" para remédios, tal sua quantidade. Além de serem imitados os de Portugal, havia especialidades indígenas ou africanas. Na Farmacopeia de Vigier, de 1766, são anotados: para a sífilis, carne de víbora em pó; para a tuberculose pulmonar ou "chaga de bofe", açúcar rosado com leite de jumenta ou cabra; para a verminose, raspas de chifre de veado; para a calvície, pomada de gordura humana retirada dos enforcados; nas anginas, pescoço de galo torrado e pulverizado; para panarícios, pasta de minhocas; havia chás feitos com excrementos de gatos e cães, percevejos, urina, carne e pele de sapos e lagartixas. Uma emulsão conhecida como ´da castidade´ era dada a padres e freiras como antiafrodisíaco: levava água de alface, rosas e sementes de papoulas.
Após abrir os portos do Brasil às nações amigas de Portugal, D. João VI assinou, em 18 de fevereiro de 1808, o documento que mandou criar a Escola de Cirurgia da Bahia (Atual UFBA) e deu início ao ensino da medicina no país.[4] A Faculdade de Medicina da UFRJ foi criada pelo príncipe regente D. João, por Carta Régia, assinada em 5 de novembro de 1808, com o nome de Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia e instalada no Hospital Militar do Morro do Castelo. [5]
A interiorização do ensino da medicina começou somente em 1950 quando foi fundada a primeira faculdade de medicina do interior do Brasil, a Faculdade de Medicina de Sorocaba da PUC-SP.[6]
Em 13 de junho de 1954 o diretor do Instituto Brasileiro de História da Medicina plantou no Jardim Botânico do Rio uma muda vinda da árvore de Hipócrates, multimilenar, que ainda existe na ilha de Cós, na Grécia.

Ciências médicas e profissões médicas

 

O tempo em média de formação em Medicina é de 7 anos. Após formar-se médico, pode-se fazer especialização ou uma residência médica que irá depender da especialidade e sub-especialidade que optar. Para entrar em um programa de residência médica, o médico deve ser aprovado e classificado em concurso de âmbito internacional e, devido ao grande número de médicos que se formam a cada ano, vem aumentando o número de profissionais que conseguem ser aprovados neste concurso. Estes médicos acabam optando por fazer especialização em curso normal de pós-graduação, que muitas vezes não apresentam o mesmo nível de qualidade exigido para um programa de Residência.
A Medicina tem dois aspectos: é uma área de conhecimento (isto é, uma ciência) e é uma área de aplicação desse conhecimento (as profissões médicas). Na medicina, podemos destacar a Odontologia, que tanto no Brasil como em Portugal já constitui um curso independente.
A Medicina baseada em evidências é uma tentativa de ligar esses dois aspectos (ciência e prática) através do uso do método científico, buscando através de técnicas e pesquisas científicas o melhor tratamento para um determinado paciente.
Às vezes, pode ser difícil distinguir entre ciência médica e profissão em Medicina. Os vários ramos especializados da Medicina são estudados por ciências básicas especializadas e por correspondentes profissões médicas, igualmente especializadas, que lidam com órgãos, sistemas orgânicos e suas doenças. As ciências básicas da medicina frequentemente são as mesmas de outras áreas da ciência da saúde ou ciência médica como a biologia, a física, a ciência veterinária e a química.
Existem várias áreas ligadas à ciência da saúde ou ciência médica: odontologia, serviço social, psicologia, enfermagem (o cuidado com o paciente doente), farmácia, biomedicina, fonoaudiologia, educação física fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, protética e bioengenharia.
Podem-se incluir também diversas profissões auxiliares (de nível médio) no Brasil entre estas se destacam os Agentes Comunitários de Saúde, função equivalente aos Médicos de pés descalços na China, os Agentes de Controle de Endemias ou Zoonoses; Os Auxiliares de Saneamento e Inspetores Sanitários; Os Auxiliares de Laboratório (bioquímica) , Auxiliares de enfermagem, Auxiliares de Nutrição e Odontologia ou Técnicos de Higiene Dental. Em algumas regiões ainda se encontram parteiras capacitadas e supervisionadas por centros de obstetrícia. Especialistas de Saúde Pública tem enfatizado a importância dessas profissões especialmente por sua capacidade de resolver os agravos mais frequentes da população e principalmente por realizar serviços de prevenção (medicina preventiva) e promoção da saúde no modelo de atenção à saúde da família.
O médico, quando nos últimos anos da Faculdade de Medicina, realiza internato hospitalar em diversas áreas como clínica médica, cirurgia geral, pediatria e ginecologia e obstetrícia. Em algumas faculdades brasileiras já foi introduzido também o internato obrigatório em saúde coletiva, com estágios em medicina preventiva e social e medicina de família e comunidade.

As especialidades médicas, as subespecializações e as áreas de atuação

 

No Brasil, para ser um especialista, o médico deve realizar uma residência médica e prestar um concurso junto a associação médica da especialidade, que é reconhecido pela Associação Médica Brasileira e homologado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), sem o qual ele é apenas médico, sem especialidade. Até para ser considerado Clínico, o médico deve fazer Residência em Clínica Médica, com duração mínima de 2 anos.
A medicina tem muitas especializações possíveis, algumas subespecializações e as denominadas "áreas de atuação".
No Brasil elas são regulamentadas em Resolução expedida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). (Veja a Anexo: Lista de especialidades médicas).
Algumas disciplinas ministradas durante o curso de medicina:

 

Especialidades diagnósticas e de imagem

 

  • Anatomia Patológica: É uma especialidade médica responsável pela realização de diagnósticos de várias doenças, inclusive do câncer, por meio de estudo ao microscópio de amostras de células ou tecidos. Os médicos patologistas são os profissionais responsáveis pelos diagnósticos, gerando laudos que orientam tratamentos, estabelecem prognósticos, garantem a qualidade do atendimento médico e são indispensáveis às campanhas e ações preventivas. No Laboratório de Patologia ou de Anatomia Patológica todos os procedimentos são realizados por médicos patologistas e seus auxiliares. Estes profissionais detêm conhecimento altamente especializado para o diagnóstico de doenças, incluindo o câncer, a partir de estudo de materiais obtidos por aspirações, esfregaços, biópsias e cirurgias. Em cada exame o médico patologista seleciona, de forma individual, as amostras para estudo microscópico, não havendo a possibilidade de automatização por máquinas. Exames anatomopatológicos (biópsias, peças cirúrgicas), Exames imuno-histoquímicos e Exames citopatológicos (preventivos, punções, líquidos orgânicos) são procedimentos médicos e devem ser rigorosamente analisados por médicos patologistas ou por médicos citopatologistas, para que sejam executados de forma confiável.
  • Bioestatística é a aplicação de estatística ao campo biológico e médico. Ela é essencial ao planejamento, avaliação e interpretação de todos os dados obtidos em pesquisa na área biológica e médica. É fundamental à epidemiologia e à Medicina baseada em evidências.
  • Bioquímica é o estudo das reações químicas que acontecem dentro dos organismos vivos e, levando em conta a estrutura e a função dos componentes celulares e da célula como um todo.
  • Física médica - utiliza de conhecimentos da Física para chegar a diagnósticos, bem como auxilia no desenvolvimento de novos equipamentos.
  • Histologia é estudo de como as células e o material intercelular se unem para formar os tecidos, como o ósseo, o muscular, o conjuntivo etc.
  • Imunologia é o estudo das células e moléculas que compõem o sistema imunitário e de seu funcionamento na defesa do organismo contra agentes infecciosos e células cancerígenas.
  • Informática médica é o campo de estudo relacionado à vasta gama de recursos que podem ser aplicados na gestão e utilização da informação biomédica, incluindo a computação médica e o próprio estudo da natureza da informação médica.
  • Microbiologia é o estudo dos micro-organismos (protozoários, bactérias, fungos e vírus).
  • Toxicologia é o estudo dos efeitos das toxinas e venenos vegetais, animais e minerais.
  • Ultrassonografia - Estudo do corpo humano através do ultra-som, que forma sombras e ecos nas estruturas do corpo humano.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medicina

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ACERVO DIGITAL MÉDICO PARA O SISTEMA INTEGRADO DE PROTOCOLOS ELETRONICOS - SINPE


SOARES FILHO, Mario de Paula. Acervo digital médico para o sistema integrado de protocolos eletrônicos. 2007.104 f. Dissertação (Mestrado em Clinica Cirúrgica do setor de Ciências da Saúde) – Universidade Federal do Paraná, Paraná, 2007.

Os sistemas de Integrados de Protocolo Eletrônico – SINPE possui até o momento 15 protocolos mestres e 150 protocolos específicos, os quais foram desenvolvidos através de extensa pesquisa e produção de material cientifico na forma de dissertação e mestrado, teses de doutorado e artigos em diversas instituições. Para que este e diversos documentos pudessem ser consultados pelos usuários do SINPE ou utilizados para fins de estudo relacionado de protocolo eletrônico faz-se necessário desenvolver um módulo especifico para esta finalidade.
Objetivo: a) desenvolver um sistema de acero que permita coleta, catalogação, armazenamento, recuperação e disponibilização de objetos informacionais digitais médicos com fim de pesquisa.  

O autor em seu trabalho disserta sobre o desenvolvimento  de sistemas de recuperação da informação na área medica.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

AVALIAÇÃO DE INTERFACE DE SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DE IMAGENS MÉDICAS POR CONTEÚDO


Ana Lucia Filardi; Agma Juci Machado Traina

Centro Nacional de Pesquisa por Monitoramento de Satélite (CNPM)
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Brasil
Instituto de Ciências Matemática e da Computação (ICMC)
Universidade de São Paulo (USP), Brasil



Resumo: Sistema de informação hospitalares (SIH) foram elaborados para armazenar informações gerais dos pacientes. O uso dos sistemas de arquivamento e comunicação de imagens (PACS) em ambientes hospitalares amplia a capacidade de integração de todas as informação do paciente. Para dar suporte a diagnósticos, técnicas de recuperação de imagens por conteúdo podem ser incorporadas aos PACS e SIH permitindo responder consultas por similaridade. Esses sistemas são inerentemente interativos e no, entanto pouca atenção tem sido atribuído a essa importante parte desses sistemas. Este trabalho visou analisar a interface-humana computador para sistemas CBIR (Content-based Image Retrieval), afim de torna-los mai adequados á pratica diária do hospital.  

Este artigo retrata sobre a recuperação de imagens na área médica, e da interação dos médicos com sistemas de recuperação de informação na área medica.

ESTRATÉGIA DE BUSCA NA RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA



LOPES, Ilza Leite. Estratégia de busca na recuperação da informação: revisão da literatura. Revista de Ciência da Informação de Brasília, Brasília, v.31, n.2, p. 60-71, maio/ago. 2001.


Os sistemas de recuperação da informação possibilitam o planejamento de estratégias de busca com maior nível de complexidade envolvendo vários conceitos na mesma estratégia; permitem a utilização de busca de palavras apenas dos títulos e resumos dos documentos, isto é, termos da linguagem natural; buscam os termos específicos de linguagens controladas, nos campos de descritor; buscam por autores; por ano de publicação; por título de periódicos; por classificação permitem, também a busca de conceitos compostos ou simples e a possibilidade de truncagem de raízes de palavras e de substituição de caracteres no meio dos termos, dentre outros recursos de recuperação.
A evolução histórica dos sistemas de recuperação da informação, segundo Lancaster (1993, p.202) apresenta duas linhas principais de desenvolvimento. A primeira tem suas origens nos grandes sistemas de bases de dados desenvolvidas pelas instituições americanas: National Library of Medicine (NLM), Department of Defense (DOD) e pela National Aeronautics and Space Administration (Nasa), que indexava suas bases de dados referenciais utilizando os thesauri específicos de suas áreas temáticas. A segunda linha teve o seu desenvolvimento no campo do direito e envolvia a geração de dados com o texto completo das leis.
O conteúdo de informações em banco de dados variam de acordo com a diversidade temática das respectivas bases de dados oferecidas em cada banco. Algumas são orientadas para um determinado assunto, enquanto outras são orientadas para a missão da instituição que as desenvolvem.  Tais fatores devem ser levados em consideração no planejamento das estratégias de busca, assegurando a qualidade na recuperação da informação.
Tais fatores levaram a um estudo de planejamento e elaboração de etapas de estratégias de busca em base de dados em linha e em CD-Rom.

Estudo da Estratégia de Busca   

Alguns conceitos fundamentais são apresentados para o entendimento da questão relacionada com o processo de planejamento das estratégias de buscas, definindo-se os principais, como citados no Dicionário Aurélio Eletrônico:

Estratégia: 1) arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas, navios, e/ou aviões, visando a alcançar ou manter posições relativas e potenciais bélicos favoráveis e futuras ações táticas sobre determinados objetivos; 2) arte militar de escolher onde, quando e com que travar um combate ou uma batalha; 3) arte de aplicar os meios disponíveis com vista á consecução de objetivos específicos.

Busca: 1) ato ou efeito de buscar, 2) procura com o fim de encontrar alguma coisa; 3) investigação cuidadosa: pesquisa, exame, 4) procura, minuciosa: revista, exame; 5) movimento íntimo para alcançar um fim.

Tática: 1) parte da arte da guerra que trata da disposição e da manobra das forças durante o combate ou na iminência dele; 2) parte de arte da guerra que trata de como travar um combate ou batalha; 3) fig. Processo empregado para sair-se bem num empreendimento.

No âmbito da recuperação da informação, a estratégia de busca pode ser definida como uma técnica ou conjunto de regras para tornar possível o encontro entre uma pergunta formulada e a informação armazenada em uma base de dados. Isto significa que, a partir de um arquivo, um conjunto de itens que constituem a resposta de uma determinada pergunta será selecionado.
A partir desses conceitos, pode-se inferir que, para alcançar a resposta pretendida pelo usuário de informação, faz-se necessário a execução de movimentos e operações táticas, ora restringindo os resultados alcançados, ampliando-os para a obtenção de informações mais relevantes, conforme o pedido de busca demandado.
Bourne (1977) investigou o impacto dos erros ortográficos nas bases de dados bibliográficas e como eles afetam a produtividade das buscas em linha. Analisou erros ortográficos que ocorrem na linguagem natural, isto é, nos campos de títulos e resumos, assim como que ocorrem nos campos de descritores das linguagens controladas. Ele observa, entretanto que a quantidade de erros ortográficos, formas variante de palavras e mesmo erros ortográficos termo de indexação afetam consideravelmente os resultados das buscas. Lembra que, no índice impresso, essa alta incidência de erros ortográficos não é tolerada e, portanto, a mesma atitude deve ser mantida quanto ao índice das bases de dados.
Constata-se que o usuário final está pouco habilitado a lidar com incidência de erros ortográficos em bases de dados. O intermediário dispõe de maior habilidade para utilizar linguagens controladas, pois obtém conhecimento prévio desses para o planejamento e operacionalização da estratégia de busca.
Fidel (1986) em seu estudo sobre sistema especialistas desenvolvidos para auxiliar os usuários finais na consulta as bases de dados, demonstrou que a maioria desses sistemas é baseada na análise dos textos, e não nos modelos de busca humana. Por esse motivo, tais sistemas não podem processar os critérios relacionados como o pedido de busca do e responder as questões relativas aos fatores de revocação e precisão.
Bates (1987, 1988) conceituou estratégia de busca como o estudo “estudo de teoria, princípios e práticas de planejar e executar táticas e estratégias de busca”. Adaptando as definições ao ambiente de recuperação da informação, deu ênfase ao conceito de comportamento de busca, indagando: “o que as pessoas fazem, e como pode se determinado o que elas pensam, quando estão executando uma busca de informação?”
Nesse momento, cabe uma análise semântica dos principais termos que compõe o objeto de estudo, lembrando que o planejamento e a execução de um estratégia de busca é a  “arte de escolher onde, quando e com que investigar cuidadosamente” a fonte de informação para alcançar os objetivos específicos do solicitante, dependendo de uma serie de fatores relacionados com a abrangência de assunto e período da base, dos tipos de documentos indexados, da linguagem de indexação, dos campos de busca disponibilizados em determinado banco de dados.
Ela também observou que o processo de busca é efetuado por pessoas é constituído por diferentes movimentos, táticas, estratagemas e estratégias. Definindo o movimento como um pensamento ou ação que é parte do processo de busca, demonstrou que a tática é composta por um ou mais movimentos executados no mesmo processo. O estratagema seria constituído pelo uso de múltiplas táticas ou movimentos, e a estratagemas para a completa busca da informação. O processo de busca realizado pelo sistema de recuperação seria composto, entre outros, pela linguagem de busca do sistema e pela estrutura de informação da base de dados.
Spink e Saracevic (1993) afirmaram, baseados na prática profissional e em pesquisas, que a busca em sistemas de recuperação de informação é:
“Um processo de alta complexidade envolvendo numerosos fatores e variáveis além de decisões e o entrelaçamento dos subprocessos inter-relacionados com a busca”. Uma das chaves para um dos subprocessos é a seleção de termos para a estratégia de busca que por sua vez é influenciada por outros fatores, particulares os relacionados com os resultados. Sintetizam essa questão com uma pergunta para as investigações : Que termos de busca devem se selecionados para um determinado tema que represente efetivamente o problema de informação do usuário?” (Spink  e Saracevic, 1993, p.63).
Tais questões foram analisadas para a identificação de: padrões do discurso interativo entre os usuários e os intermediários; efeitos de diferentes variáveis no processo de recuperação e de obtenção dos resultados; guias para melhorar o desempenho das interações entre os mesmos; padrões de seleção dos termos para a estratégia de busca e da seqüência da escolha dos mesmos e das fontes desses termos.
Diversas aplicações praticas podem ser mencionadas no contexto de recuperação em bases de dados. As primeiras estão relacionadas com os intermediários que operacionalizam as buscas, pois os mesmos devem ter o conhecimento continuamente aprofundado sobre as diferentes fontes de linguagens controladas e sua estruturas hierárquicas ou não, para que os termos ou conceitos da estratégia de busca sejam os termos utilizados pelos indexadores no processo de entrada dos documentos na base.
A segunda esta diretamente relacionada com os usuários, que devem ser informados detalhadamente sobre todo o processo de busca. Dessa forma, eles poderão participar ativamente dessas ações, compreendendo sua complexidade, as limitações das bases de dados e as interações que devem ser efetuadas para o alcance dos resultados desejados da busca. E a terceira implicação esta relacionada com o processo de entrevista, quando devem ser explicada ao usuário todas essas negociações com as bases e os sistemas visando a assegurar a compreensão do problema e a utilização de todos os termos ou conceitos possíveis de serem usados na estratégia de busca para a obtenção de resultados satisfatórios.   
Apesar dos intensivos programas de treinamento oferecidos pelos produtores das bases de dados, pelos próprios sistemas de recuperação em linha, de toda a documentação existente sobre as características de cada base de dados e sua respectivas estruturas de informação, dos sistemas amigáveis que oferecem “menus” para guiar o usuário em cada etapa do processo de busca, da linguagens de busca com recurso especiais  para se aproximarem cada vez mais do usuário inexperiente, o processo de busca continua apresentando um fator de dificuldade que ainda não foi minimizado pelas novas tecnologias disponíveis.

Técnicas de Estratégia de Busca

No planejamento da estratégia de busca, algumas ações ou táticas precisam ser criteriosamente relacionadas, principalmente com a seleção de termos ou conceitos e com as restrições ou limites determinados pelo solicitante ente outras questões.
Bates (1974 e 1979) conceituou tática como um plano idealizado para a efetivação de uma busca, sendo que esse plano pode ser bem-sucedido ou não. A autora definiu e analisou cerca de 13 táticas de busca dentre eles as de registros, de levantamento, de vizinho, de “resoletar” e de reespaçar”.
Dolan (1980), Schiffman (1985) e Curnutt (1991) descrevem uma técnica de busca denominada “hedges”, desenvolvida pela National Library of Medicne, que consiste no agrupamento de um conjunto de termos de busca, específicos de um assunto para futura utilização, e que pode ser aplicada em qualquer área de assunto. Esses “hedeges” são escolhidos para definir grupos de termos relacionados que ocorrem em vários níveis de hierarquias das linguagens controladas e, normalmente, não estão reunidos nos diversos thesauri sob um mesmo conceito.
Hawkins (1978) e Hawkins e Wagers (1982) apresentaram algumas técnicas para formulação da estratégia de busca e foram assim intitulados: construção em bloco, fracionamento sucessivo, crescimento da pérola de citação de pesquisa interativa. Essa técnica representa apenas a parte mecânica da estratégia. São extremamente úteis para ajudar no raciocínio lógico usado como os operadores boleanos, mas não substituem o processo associativo feito anteriormente, no momento da identificação dos conceitos e suas relações.
Fidel (1985, p. 62) definiu o modelo operacionalista como “um movimento que usa as características do sistema de recuperação com o objetivo de modificar o conjunto recuperado sem mudar o significado conceitual que ele representa”. Ao passo que o modelo conceitualista é definido como aquele que modifica o conjunto recuperado pela mudança de significado do conceito que ele representa.  Analisando a estratégia de busca em bases de dados em linha, a autora detectou todas as etapas de operacionalização das estratégias, denominadas a técnica de “mover”. Afirmou que a mais importante vantagem da busca em linha é “que os intermediários podem revisar suas estratégias definidas anteriormente ao longo do processo de busca em qualquer etapa da mesma”. A técnica “mover está diretamente relacionada com os dois estilos de busca: operacionalista ou coneitualista. 
Todos esses      “movimentos” foram examinados e relacionados com as táticas de busca definidas por Bates (1974) e com as técnicas de estratégias de busca preconizadas por Markey e Atherton (1978) e por Hawkins  e Wagers (1978).
Kirkbride (1991) mencionou alguns dos critérios para seleção de bancos e bases de dados, alertando para as dificuldades inerentes ao processo de escolha dos termos para a estratégia de busca. Afirmou que a formulação de estratégias de busca depende do tema de pesquisa e da linguagem de busca dos diversos bancos de dados em disponibilidade. Portanto, é necessário um conhecimento minucioso das técnicas de estratégia de busca, dos prós e contras da estratégia no texto completo dos documentos, da busca em linguagem controlada, da política de indexação, da cobertura de assunto das bases de dados e das características das linguagens de recuperação dos diversos sistemas disponíveis. Em algumas ocasiões, um tema de pesquisa ou um tipo de formato solicitado exigem uma pré-seleção da base e do banco de dados, antes mesmo de se planejar qual técnica será usada na formulação da estratégia de busca.
A implementação da estratégia de busca, portanto, requer do intermediário pré-requisitos intelectuais e pessoais para operacionalização da mesma, por exemplo, raciocínio   lógico, autoconfiança, serenidade, além de outros atributos citados na literatura especializada.   

Estratégias de Busca - Etapas

Oldroyd e Citroen (1977) identificaram três grandes etapas para decisão no processo de planejamento da estratégia de busca: decisão sobre qual a melhor base de dados para um determinado tema; decisão referente á seleção dos termos de busca e sua adequação para a base a ser consultada; decisão sobre a formulação lógica da estratégia.

1º Etapa: Discussão do tópico geral da pesquisa  

Uma entrevista pode eliminar muitos problemas. Se o tópico da busca não tiver sido bem definido e descrito pelo usuário, é tarefa do intermediário ajudar a fazê-lo. É útil perguntar como os resultados da busca irão ser aplicados, porque e a resposta pode mudar a direção ou a ênfase da busca.

 2º Etapa:Conhecimentos básicos sobre os instrumentos de busca

 Se o pesquisador se familiazar com alguns dos instrumentos básicos de auxílio para a busca em seu campo, por exemplo, um thesauri, isto pode ajudar a definir o tópico e gerar uma lista de palavras-chave a serem usadas na estratégia de busca. O pesquisador deve selecionar os termos que especifiquem o problema por causa do seu grande conhecimento do assunto; o intermediário dever ajudar, mas não deve definir o assunto, porque, na maioria das vezes, a definição obtida para o tema difere completamente do pesquisador.

3º Etapa: Formulação “provisória” da estratégia de busca

Após o pesquisador ter fornecido um tópico claro e descritores válidos, o intermediário pode formular uma estratégia de busca inicial (tentativa). A busca está bem definida se o intermediário for capaz de assegurar a recuperação de todas as citações para vários termos. Mas, tipicamente a informação mais complexa, aquela que requer a interseção de, pelo menos, dois conjunto de termos, é desejável. Neste caso, o intermediário tem que ajudar o pesquisador a agrupar termos similares em um só conjunto e, sucessivamente, pode agrupar outros termos similares em outros conjuntos até alcançar a resposta solicitada. Porém, é realmente desejável é que a informação solicitada ocorra em ambos os conjuntos ao mesmo tempo.

4 Etapa: compreensão da lógica dos conjuntos de termos

O intermediário deve ajudar o usuário a compreender as propriedades básicas da teoria dos conjuntos tal como é usada nas estratégias de busca por computadores. O uso da interseção de mais de dois conjuntos de termos deve ser evitado, porque, embora os resultados possam ser bem precisos, eles são muito limitados e podem provocar uma possível exclusão de informações relevantes.

5º Etapa: Interdisciplinaridade

Os intermediários que executam a busca nos sistemas precisam conhecer sobre os campos de pesquisa correlatos e como usá-los para responder a questões que demandam buscas interdisciplinares. Frequentemente o pesquisador não está familiarizado com campos de pesquisa relacionados; cabe, portanto, ao intermediário propor a expansão da busca para estes outros campos, aumentando, consequentemente, as possibilidades de documentos de interresse virem a ser recuperados.

6 Etapa: Eliminação de termos indesejados

Existem várias maneiras de se eliminarem termos indesejados de uma busca. Se o pesquisador não está interessado em citações sobre um determinado conceito, o intermediário pode eliminar do resultado final todas as citações que tiverem o termo citado. Mas existem problemas com este enfoque. Ocasionalmente, ambos os termos ocorrerão na mesma citação. Nesse caso, o solicitante deve ser avisado sobre esses possíveis problemas. Com o solicitante, o intermediário examinará a necessidade de exclusão de termos afins com o tema pesquisado. Os termos indesejados serão excluídos do resultado da busca depois de se ver o impacto dessa exclusão no resultado total da busca. A decisão para excluir termos nem sempre é fácil e, visualmente, depende da especificação do tópico.

7 Etapa: Especificação dos parâmetros relevantes para a execução da busca

Todos os parâmetros relevantes devem ser considerados para se determinar os limites da busca. Quanto, em termos de recursos financeiros, pode ser gasto na busca?
Deve a busca ser limitada nos anos mais recentes? Quais as bases de dados que provavelmente irão fornecer as mais relevantes citações? O pesquisador que todas as citações que mencionam uma autoridade particular ou somente as que são autorizadas por uma pessoa particular?
O pesquisador deve responder a estas questões, devidamente assistido pelo intermediário nessa tomada de decisão, que anotará todos os detalhes para o posterior planejamento da estratégia de busca.

Comentário

No contexto atual a tecnologia ampliou o escopo da pesquisa. Os bancos de dados armazenam inúmeros dados facilitando a busca de informação.
A pesquisa em base de dados permite ao usuário recuperar uma informação a qualquer hora em qualquer lugar independente de sua localidade geográfica, o que antes de surgir tal tecnologia era uma grande barreira na busca de informação.
Mas o grande desafio hoje é obter qualidade na busca da informação recuperada nessas bases de dados. O artigo trata basicamente de estratégia de busca e suas etapas tendo como objetivo melhorar a qualidade das informações recuperadas em bases de dados.
Para entender o processo de busca de informação em bases de dados é importante saber quais são as linguagens de recuperação utilizada.
Atualmente os bancos de dados tem utilizado sofisticados recursos em suas linguagens de busca objetivando ampliar a possibilidade de recuperação em suas bases oferecem mecanismos de analises estatísticas e bibliométricas.
Por isso o planejamento de estratégia de busca é tão importante, para que o usuário consiga alcançar resultados satisfatórios.    

CONCEITO DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÃO  (RI)
É uma área da computação que lida com o armazenamento de documentos e a recuperação automática de informação associada a eles. É uma ciência de pesquisa sobre busca por informações em documentos, busca pelos documentos propriamente ditos, busca por metadados que descrevam documentos e busca em banco de dados, sejam eles relacionais e isolados ou banco de dados interligados em rede de hipermídia, tais como a World Wide Web. A mídia pode estar disponível sob forma de textos, de sons, de imagens ou de dados. Há, entretanto, muita confusão entre os termos e conceitos "recuperação de dados", "recuperação de documentos", "recuperação de informações" e "recuperação de textos". Na verdade, cada um destes é uma área especial que possui seu próprio corpo de conhecimento e literatura, teoria, praxis e tecnologias.

Histórico acadêmico

O termo foi criado por Calvin Mooers entre 1948 e 1950, e o campo de pesquisa é interdisciplinar, baseado em muitas áreas. Por sua abrangência ele não é muito bem compreendido, sendo abordado tipicamente sob uma ou outra perspectiva. Ele está posicionado na junção de muitos campos já estabelecidos, tais como psicologia cognitiva, arquitetura da informação, projeto da informação, comportamento da informação humana, linguística, semiótica, ciência da informação, ciência da computação, biblioteconomia e estatística.
Sistemas (automatizados) de recuperação da informação foram originalmente usados para gerenciar a explosão da informação na literatura científica na segunda metade do século XX. Muitas universidades e bibliotecas públicas usam estes sistemas para prover acesso a livros, jornais, periódicos e outros documentos.
Em 1992 o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em conjunto com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), do mesmo país, patrocinou a Text Retrieval Conference (TREC, Conferência de Recuperação de Textos) como parte do programa TIPSTER. O objetivo disto foi observar a transformação da comunidade de recuperação de informações a partir do provimento de uma infraestrutura de suporte que era necessária para tal gigantesca avaliação das metodologias de recuperação de textos.

Objetivo

Os documentos são geralmente textos ou partes do texto de documentos e o principal objetivo de um sistema de RI é recuperar informação (contida nos documentos) que possa ser útil ou relevante para o usuário. Tal informação (de interesse do usuário) é normalmente chamada de necessidade de informação do usuário. Infelizmente, caracterizar a necessidade de informação do usuário não é uma tarefa simples. Considere, por um momento, a seguinte necessidade de informação de um usuário no contexto da World Wide Web (ou simplesmente Web):
"Encontre todos os documentos contendo informações sobre a doença Neoplasma Benigno de forma que: (1) O paciente com a doença possua idade inferior a 50 anos e (2) seja diabético."

Palavras-chave

Claramente, a descrição completa acima não pode ser usada para solicitar uma informação através das interfaces do utilizador das máquinas de busca na Web. Para obter documentos de seu interesse, o usuário deverá traduzir uma necessidade de informação em uma consulta. Em sua forma mais comum, esta consulta é um conjunto de palavras-chave que são usadas para recuperar documentos em uma coleção. Na grande maioria das vezes, a formulação da consulta consiste em determinar quais são as palavras-chave que resumem a informação desejada pelo usuário. Uma inconveniência imediata dessa abordagem é que o uso de palavras-chave usualmente introduz uma diferença de semântica entre a intenção do usuário e o conjunto de documentos retornados. Além disso, essa diferença de semântica pode ser ampliada devido à dificuldade adicional em se lidar com textos em linguagem natural, que nem sempre são bem estruturados e podem ser semanticamente ambíguos.

Resultados

Como resultado, a presença de documentos (textos) não relevantes entre os documentos retornados por uma consulta é praticamente certa. Nesse cenário, o principal objetivo dos sistemas de RI é recuperar o maior número possível de documentos relevantes e o menor número possível de documentos não relevantes.
Uma forma simples de obter um conjunto de respostas para uma consulta de usuário é determinar quais documentos em uma coleção contém as palavras da consulta. Todavia, isto não é o suficiente para satisfazer ao usuário em um sistema de RI.

Grau de relevância

A razão é que, o usuário está mais interessado em recuperar informação associada a um tópico descrito em uma consulta - uma tarefa freqüentemente denominada como o problema de RI. Para ser eficaz na tarefa de satisfazer a necessidade de informação do usuário, os sistemas de RI ordenam os documentos de uma coleção de acordo com o seu grau de relevância com a consulta do usuário. A noção de relevância é um conceito fundamental em recuperação de informação e é um componente chave para calcular a classificação (ordenação) de documentos em um conjunto de respostas a uma consulta do usuário.

Principais passos

  • Operação de Consulta - envolve a especificação de um conjunto de termos, associados ou não por operadores booleanos, que representa a necessidade de informação do usuário.
  • Operação de Indexação - envolve a criação de estruturas de dados associados aos documentos de uma coleção. Uma estrutura de dados bastante utilizada são as listas invertidas de termos/documentos.
  • Pesquisa e Ordenação - envolve o processo de recuperação de documentos de acordo com a consulta do usuário e sua ordenação através de um grau de similaridade entre o documento e a consulta.
Para calcular uma classificação, o sistema de RI usualmente adota um modelo para representar os documentos e a consulta do usuário. Muitos modelos ou abordagens para a computação da classificação tem sido propostos ao longo dos anos, sendo três modelos considerados clássicos:
Atualmente, vários outros modelos baseados em argumentos probabilísticos também foram propostos. Apesar desse desenvolvimento, ainda existe uma grande necessidade por novos arcabouços que permitam o aumento da qualidade das respostas a uma consulta do usuário.

Esquema global

Os modelos clássicos de recuperação de informação consideram que cada documento é representado por um conjunto de palavras-chave representativas, ou termos de indexação, que são consideradas como mutuamente independentes. Como um mesmo termo pode aparecer em diferentes documentos, é necessário distinguir a ocorrência de um termo ki em um documento dj da ocorrência deste mesmo termo em outro documento dl. Para isso, a cada par termo-documento [ki,dj] associa-se um peso wij. Este peso deve ser utilizado para refletir a importância do termo ki no documento dj, como discutido adiante. Analogamente, a cada par termo-consulta [ki,q] associa-se um peso wi,q. Esses pesos quantificam a importância da palavra chave em relação as outras palavras chaves em um mesmo documento ou consulta e em relação a outras palavras chaves em outros documentos de uma coleção.

Exemplos de sistemas de recuperação da informação

  • Biblioteca virtual de saúde - Recupera a informação de diversos periodicos, e alguns são disponibilizados online, sendo que todos estes são voltados para a area de saúde
  • Domínio público - Reune livros que já podem ser disponibilizados online, ou seja, são de dominio público
  • Portal Capes - Disponibiliza artigos de periódicos de varias revistas nacionais e internaconais.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CONCEITO DE SISTEMA DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

USP- Departamento de Biblioteconomia e Documentação
Disciplina: Representação Descritiva I - 2o semestre 2006
Docente: Cristina Dotta Ortega

UMA TEORIA DOS SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Um sistema de recuperação de informação (SRI) pode ser definido como um conjunto de dados padronizados, armazenados em meio eletrônico, utilizados para identificar informação e fornecer sua localização.
Dito de outro modo, a meta de um sistema de informação é permitir que um usuário recupere documentos através de certas características específicas (por autor, título conhecido, assunto ou qualquer combinação desses elementos).
A maneira mais primária de conseguir informação contida em documentos é inspecionar todos os documentos, um a um, até que sejam encontrados todos os documentos com as informações desejadas.
Uma maneira mais eficiente de encontrar a informação é consultar sistemas que contenham substitutos de documentos.
Portanto, são necessárias operações de fabricação desses substitutos, ou seja, fabricação de representações, quais sejam, as informações documentárias.
Esses substitutos listam as características através das quais os documentos podem ser procurados e são arranjados de tal forma que todas e cada uma destas características possam ser examinadas individualmente ou em qualquer combinação desejada.
Esse procedimento consiste em dividir o universo de documentos em subunidades administráveis. Assim, um sistema de informação não trata necessariamente de documentos reais, nem se preocupa com sua transmissão física ao usuário. (Embora esta atividade seja possível hoje com os links aos documentos eletrônicos).
Os documentos físicos são armazenados e relacionados aos substitutos por meio de uma subrotina do sistema ou são colocados em uma instituição de armazenagem de documentos.
Portanto, um sistema de informação tem uma saída S, que consistirá em uma lista ordenada de substitutos de documentos que satisfaçam as seguintes condições:
  1. Os substitutos dos documentos devem identificar cada documento de maneira única (por meio da descrição bibliográfica).
  2. Os substitutos devem ser registrados por símbolos que sejam conhecidos tanto pelos operadores quanto pelos usuários do sistema.
  3. Os substitutos dos documentos devem ser ordenados em seqüência universalmente conhecida, como: alfabética, numérica, alfanumérica (por meio da elaboração dos pontos de acesso, os quais formam os índices).
  4. Se nenhum documento novo é colocado no sistema, este manter-se-á em estado de equilíbrio, pois nada perturbará o arranjo dos substitutos dos documentos nos vários arquivos mantidos no sistema.

Processos típicos de um sistema de informação:
a)      função descritiva orientada a para forma física e identificação do documento (catalogação)
b)     função descritiva orientada para o conteúdo (indexação, classificação, condensação)
c)      transcrição dos dados descritivos em um substituto do documento (representação)
d)      arranjo seqüencial destas representações
e)      função de exploração do sistema

Dessas funções, a função descritiva orientada para a forma física e para a identificação do documento, a transcrição dos dados (representação) e o arranjo podem ser submetidos a pleno controle, governado por regras aplicáveis de maneira genérica.
A função de descrição orientada para o conteúdo e a função de exploração não são inteiramente controláveis. Dessa maneira, pode-se afirmar que há limites na recuperação da informação.

Recuperação da informação:
O conceito de recuperação da informação está relacionado ao conceito de controle bibliográfico.
O termo controle bibliográfico, segundo Wellisch, foi introduzido na área em 1949, por Egan e Shera, no artigo “Prolegomena to bibliographic control”. O termo não foi definido formalmente, mas caracterizado operacionalmente enquanto processo que proporciona acessibilidade ao conteúdo do documento e acessibilidade física ao mesmo.
Egan e Shera procuraram substituir o termo “controle” por “organização”, temendo uma indesejável associação com censura. Porém, o termo fixado foi “controle”.
O termo foi formalmente definido pela UNESCO e pela Library of Congress como o domínio sobre os registros escritos e publicados, suprido pela Bibliografia (cuja iniciativa pioneira se deve a Otlet por meio do Repertório Bibliográfico Universal-RBU).
Em 1968, Wilson distinguiu o controle descritivo (características formais do documento) do controle temático. Ao fazer tal distinção, afirma que, pelo menos em teoria, o controle descritivo pode ser feito de maneira completa, mas somente de forma parcial no domínio do conteúdo.
No entanto, há pessoas que acreditam que, tendo instrumentos de controle potentes, seria possível a realização do controle completo. Afirma-se que o controle completo dependeria apenas da utilização de computadores cada vez mais potentes e rápidos, dotados de inteligência, portanto com habilidade para reconhecer significados em contextos.
A melhor compreensão da natureza dos elementos descritivos dos documentos, os rápidos progressos da tecnologia da comunicação e a cooperação internacional, tem tornado viável a obtenção do controle descritivo de qualquer documento.
Nesse sentido, em 1971, o Controle Bibliográfico Universal (CBU), um termo cunhado por Kaltwasser, foi adotado pela FIAB (Federação Internacional de Associações de Bibliotecários), como política oficial. O objetivo do CBU era o de tornar universal e imediatamente disponível, numa forma internacionalmente aceitável, os dados bibliográficos básicos de todas as publicações editadas em todos os países.
A idéia de controle bibliográfico certamente não é nova. Já na Renascença, Conrad Gesner (considerado o pai da Bibliografia), tentou em sua famosa “Bibliotheca Universalis”, publicado em 1545, listar os trabalhos de “todos os autores contemporâneos e passados, antigos e novos, eruditos e populares, publicados e depositados em bibliotecas”.
Porém, mesmo na época de Gessner, quando o número de trabalhos era relativamente pequeno, se comparado com o presente, essa meta se revelou enganosa. Não era possível não só listar descritivamente tudo, como era ainda menos possível explorar seu conteúdo temático de maneira exaustiva e abrangente. Mesmo assim, essa impossibilidade era atribuída à ausência de métodos e recursos técnicos adequados.
Com o advento dos computadores, pensou-se que essa meta poderia ser facilmente alcançada. O trabalho de indexadores e resumidores humanos seria substituído por processos automáticos de indexação e elaboração de resumos. O trabalho ganharia em velocidade e precisão, garantindo o controle temático total e sua recuperação.
Para contestar isso, não é necessário ir muito longe: a Teoria Geral dos Sistemas permite-nos compreender os limites dessa utopia.
Pode-se lançar mão, primeiramente, das noções de regulação e controle num modelo de sistema:
-         Existe um sistema aberto num ambiente A. O sistema tem uma saída S que, para manter o sistema viável, deve ser mantido dentro de certos limites.
-         O sistema recebe entrada de dados do exterior. É claro que a entrada constitui sempre uma perturbação D, que ameaça o estado de equilíbrio de S.
-         Para controlar o equilíbrio da saída S, o sistema deve ter um dispositivo de controle C e um regulador R, de modo a formar um subsistema S1, cuja finalidade é controlar o fluxo de variedade ameaçadora ou indesejável entre D e S.

A idéia importante aqui é que todo sistema aberto necessita de mecanismos de controle para manter sua eficácia. Se pensarmos em um sistema de informação, quais são os mecanismos reguladores necessários?

Baseado em texto didático de Nair Kobashi (ECA/USP) (maio 2006)
WELLISCH, H. H. Uma teoria dos sistemas de recuperação da informação. Brasília: IBICT, 1987.